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O que o profissional de comunicação deve saber em meio à crise de veículos e agências?

Publicado em 12 de Dezembro de 2016

Curiosamente, o presidente de um dos maiores grupos do país voltados para jornalistas e empresas de assessoria de imprensa entrou pela primeira vez em uma redação para trabalhar como analista de sistemas.

Apontado recentemente por organizações como a Endeavor como um dos empreendedores de maior impacto no setor de comunicação no país, o carioca Rodrigo Azevedo iniciou sua carreira nos anos 1990, no então Jornal do Brasil, onde foi um dos pioneiros na adoção de novas tecnologias em um jornal. Anos depois, ele teria a chance de criar o portal Comunique-se, um dos maiores no país voltados para jornalistas e assessores de imprensa - que recentemente tem mudado seu foco para a oferta de soluções de comunicação para empresas.

Ao desembarcar em Maceió para uma palestra sexta-feira passada (9) a convite da gerência de comunicação do Sebrae Alagoas, Azevedo falou ao site AGENDA A sobre as mudanças no mercado de comunicação e do novo perfil exigido do profissional da área.

AGENDA A – No momento em que maioria das grandes empresas de comunicação reduz seu quadro de profissionais a um número mínimo, qual o futuro para quem quer trabalhar na área?

É fato que haverá cada vez menos vagas para profissionais de comunicação nos grandes veículos ou agências. Diria, talvez, que apenas 5% ou 10% dos profissionais ocuparão cargos em empresas tradicionais. Em compensação, o espaço para esses profissionais trabalharem em empresas de outros setores vai multiplicar. Afinal, grandes empresas como a Coca-Cola, por exemplo, descobriram que podem ser donas dos próprios veículos de comunicação com canais poderosos e um número de seguidores muitas vezes maior do que o de alguns veículos de comunicação. E é claro que elas precisarão de profissionais de comunicação para produzir o conteúdo dessas plataformas. É a velha história, quando há crise em um mercado, quase sempre há oportunidade em outro, desde que o profissional esteja preparado para enxergar e se adequar às mudanças.

Quais os principais entraves que você enxerga nos profissionais a área para se adaptarem ao novo mercado?

No caso dos jornalistas, por exemplo, vejo que muitos deles ainda estão presos ao passado tentando se proteger das mudanças tecnológicas por meio do corporativismo ou da  criação de barreiras de mercado. Mas é claro que isso não funciona. Enquanto muitos desprezaram os novos formatos, uma nova geração de produtores de conteúdo tomou conta do mundo digital criando blogs, canais de Youtube e outros meios de comunicação. E o resultado é que muitas dessas pessoas passaram a ganhar dinheiro enquanto grandes jornalistas permaneceram completamente alheios a esses novos modelos. Assim, fica difícil reclamar da falta de oportunidades.

Você poderia citar quais os pré-requisitos mínimos que faltam a esses profissionais?

Acho inconcebível, por exemplo, que um profissional de comunicação hoje em dia não tenha fluência digital, ou seja, não esteja minimamente preparado para produzir e distribuir conteúdo de qualidade em várias plataformas. Converso com grandes profissionais desempregados e descubro que muitos deles não têm sequer um blog de conteúdo relevante ou qualquer outro canal de comunicação online. Até hoje, esperam a chance de voltar a trabalhar em uma redação ou grande agência. Com a tecnologia disponível e de fácil aprendizado hoje em dia, esse profissional tem a chance única de criar uma vitrine para o seu trabalho. Ainda assim, muitos resistem, por preconceito ou falta de iniciativa.  Acho que a dificuldade em se adaptar, nesse caso, tem menos a ver com a falta de conhecimentos ou habilidades e muito mais com a falta de atitude. Há muito espaço para quem quer empreender e não apenas ter um emprego. 



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