Amazon do Brasil premia autora de livro inspirado em história familiar em Alagoas

Rodrigo 1 de março de 2023

Adriana Vieira Lomar (ao centro, de vestido branco), vencedora da 7ª Edição do Prêmio Kindle de Literatura ao lado dos finalistas

 

Um livro de ficção inspirado na história dos antepassados de familiar de uma carioca filha de alagoanos que passou boa parte da infância e da adolescência no Estado foi a obra vencedora da 7ª Edição do Prêmio Kindle de Literatura, premiação da Amazon do Brasil em parceria com o Grupo Editorial Record.

Com o livro “Ébano sobre os Canaviais”, Adriana Vieira Lomar, que foi criada no Estado entre a fazenda dos pais, em São Miguel dos Campos, e Maceió, onde terminou o segundo grau (e onde ainda vive boa parte da família, como a irmã Maria Amélia Vieira, fundadora da galeria Karandash), venceu a edição deste ano da premiação que confere um prêmio R$ 50 mil em dinheiro e a publicação do livro em versão impressa pelo Grupo Editorial Record.
O livro se passa em duas épocas: a primeira narra a história do português José, que vem ao Brasil fugindo de uma epidemia em Portugal, e se apaixona por Ébano, uma mulher alforriada e filha da escravizada Shakina. Apesar de Ébano ser livre, a sociedade recrimina a união do casal e ela renuncia à maternidade do filho Zeca. No segundo, quase dois séculos depois, a personagem Maria Antonieta, uma mulher racista e com complexo de superioridade em relação aos seus antepassados, descobre numa jornada de autoconhecimento sua verdadeira origem que coloca em xeque os seus preconceitos e comportamentos.

“Um texto detalhado, rico, uma história muito bem contada, desenhada, envolvente e que faz você sentir todos os dramas e angústias de seus personagens”, disse a jurada Sueli Carneiro sobre o enredo da obra vencedora.
Apesar da obra ser de ficção, a autora, que já havia escrito os livros de poemas  do livro de poemas “Carpintaria de sonhos” e do romance “Aldeia dos mortos”, contou por telefone a AGENDA A que o enredo foi inspirado em histórias dos antepassados do próprio pai de Adriana, cujo bisavô foi um imigrante português que teria tido um relacionamento com uma mulher afrodescendente que nunca apareceu no registro da família.
“Cheguei a procurar documentos sobre essa história inclusive no cartório de São Miguel dos Campos, mas não encontrei nenhum registro”, diz Adriana Lomar. “E acredito que o livro também teve esse papel de reconstituir e dar visibilidade a pessoas que foram, de fato, invisibilizadas pelo preconceito”.
O livro de Adriana, que concorreu com outros quatro finalistas que também participaram da cerimônia (Alice Betânia Miranda, autora de Meus sertões de você; Andre L. Braga, de Onde Pousam Os Urubus; Jadna Alana, de Se tu me quisesse; e Walther Moreira Santos, de O Piloto), já está disponível na versão Kindle na Amazon.com.br (e deve ser publicado na versão impressa pela Record no segundo semestre deste ano).