“Pasta alagoana” zero açúcar: fórmula para cobertura de bolos desenvolvida em AL vira patente nacional

Rodrigo 14 de abril de 2023

Daniela. Rodrigo e Claudine: pasta americana desenvolvida em AL conquista patente nacional

Como comemorar o aniversário de uma mãe diabética sem abrir mão de um tradicional bolo decorado com pasta americana, cobertura à base de açúcar usada por confeiteiros?

Após voltar a Maceió em 2012 depois de defender uma tese de doutorado, a dentista e pesquisadora alagoana Daniela Cavalcante, que nas horas vagas tinha como hobby fazer cursos de confeitaria, decidiu que iria buscar uma solução para que sua mãe, Maria Eliane, pudesse comer um bolo decorado zero açúcar sem perder a consistência e doçura de um bolo tradicional.

A receita, aprimorada nos últimos anos em uma fórmula à base de adoçantes e outros ingredientes naturais, ganhou no início deste mês o reconhecimento de patente pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o INPI.

“Estamos muito felizes com o reconhecimento do INPI que vai nos permitir levar a patente para o mercado”, diz Daniela, que assina a patente ao lado do primo, o advogado Rodrigo Carvalho, e da administradora Claudine Lacerda (esposa de Carvalho) – os dois especialistas em propriedade intelectual com passagens no Núcleo de Inovação Tecnológica da Ufal, o Nit, e pelo mestrado profissionalizante de propriedade intelectual, Profnit.

Rodrigo Carvalho explica que, diferentemente de uma receita culinária, que não é passível de ser patenteada por lei, o pedido de patente da pasta americana zero açúcar precisou descrever com clareza seu processo de desenvolvimento para atender critérios do INPI.

“Não basta demonstrar que se trata de um produto inovador mundialmente, mas também provar que tem aplicação industrial e atende a uma série de outros critérios, como provar que tem forma ou disposição de outros produtos já existentes e traz uma melhoria funcional, no uso ou na fabricação”, diz Carvalho, à frente da RC Marcas e patentes.

Ao lado da esposa, Cláudine Lacerda, e da prima e desenvolvedora da fórmula, a dentista Daniela Cavalcante, Carvalho diz que o objetivo dos três agora é tirar a patente da prateleira do INPI e levá-la ao mercado em busca de empresas de alimentos que desejem usá-la em escala industrial.

“Foram anos de pesquisas, testes e aprimoramentos até chegarmos a um produto livre de açúcar, mas sem perder a consistência, a elasticidade e o sabor da pasta americana tradicional”, diz Daniela que, após perder a mãe, Maria Eliane, na epidemia de Covid, abriu a própria empresa e já trocou o consultório de dentista para focar na expansão da “Santa Fit – Confeitaria Saudável”,  que tem entre seus clientes empresas como Mundo Verde e Erva Doce & Doce Erva, entre outros.