Uma das mais belas vozes da música brasileira fala de seu primeiro show em Maceió, neste sábado

Rodrigo 8 de dezembro de 2023

Mônica Salmaso: uma das mais premiadas vozes da MPB se apresenta pela primeira vez em Maceió neste sábado, no Teatro Marista

 Em 1995, quando tinha 24 anos, ela recebeu uma espécie de “passe” dos críticos e amantes da MPB ao dar nova voz aos afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, em duo com o violonista Paulo Bellinati.

Quase 30 anos depois, já reconhecida (e várias vezes premiada) como uma das mais belas vozes brasileiras, admirada por nomes como Edu Lobo, Dori Caymmi e Chico Buarque (com quem fez a recente turnê “Que Tal um Samba?”), Mônica Salmaso faz sua primeira apresentação em Maceió neste sábado (9), a partir das 21h, no Teatro Marista.  

Como explicar, afinal, que a cantora nunca tenha pisado em um palco alagoano?

“Confesso que fico até um pouco envergonhada, mas não foi culpa minha não, acho que foi falta de oportunidade e convite, mesmo”, diz Mônica, que falou na entrevista abaixo com AGENDA A sobre o show, suas escolhas de carreira (que lhe renderam mais prestígio do que popularidade) e da recente turnê ao lado de Chico Buarque por um país dividido politicamente.  

AGENDA A: Desde seu primeiro álbum Afro-Sambas, você parece ter evitado o caminho de uma cantora pop da chamada “Nova MPB” em prol de um posicionamento de carreira mais parecido com o de um músico instrumental. Foi uma escolha proposital?   

Acho que tem a ver com minha identidade, mesmo, e minha história de amor pela música brasileira. Antes de qualquer formação musical, fui formada também sentimentalmente ouvindo em casa os discos de Dorival Caymmi, Caetano, Gil, Elis Regina, Chico Buarque. E quando comecei a cantar, esse primeiro amor me levou, naturalmente, a esse lugar que me identifico. Como também tive a sorte de iniciar a carreira com músicos que foram de uma extrema generosidade, como o Paulo Bellinati, aprendi muito também sobre como conduzir uma carreira com mais consistência e controle sobre o trabalho musical. Daí vem, talvez, essa minha natureza mais próxima de músicos, por respeitar e entender o trabalho ao lado deles como uma parceria, de fato, e não como um acompanhamento do meu trabalho. Até porque, como ouvinte, sempre tive mais interesse em trabalhos de instrumentação com formações menores, mais intimistas, como é a formação do show que farei aí em Maceió com o Paulo Aragão (violonista, compositor e arranjador) e o Teco Cardoso (flautista e marido de Mônica).

Você começou gravando Baden Powell e Vinicius e sempre estudou e privilegiou no seu repertório gigantes que marcaram a história da música brasileira. Mas quem são os novos talentos da música que você realmente ouve e admira?  

Com o streaming, a própria relação com a música vem mudando muito, mas acompanho e admiro toda uma geração criativa de grandes nomes em todo o Brasil. Vou me arrepender de citar alguns e não fazer referência a todos, mas você tem talentos em todos os Estados. De Minas, por exemplo, há nomes como o Davi Fonseca (pianista e arranjador) e o Rafael Martini (pianista), em São Paulo, a Vanessa Morena (cantora), no Rio, a Lívia Nestrovski (cantora), o Chico Chico (filho de Cássea Eller), o Breno Ruiz (pianista e cantor nascido em Sorocaba), enfim, tem muita gente e minha antena está sempre ligada. A música popular brasileira tem uma tradição tão rica, que é como o tronco de um grande baobá, de onde sempre brotam novos talentos. 

Você, que ouvia Chico Buarque desde a infância, percorreu recentemente vários Estados do país e até outros países com ele na turnê “Que tal um samba?”, em meio uma atmosfera de alta polarização política. O que você fez para não se intimidar nem por cantar ao lado de um dos seus ídolos, nem pela atmosfera de política dos shows?

Quando começamos a falar sobre o show, o Chico foi extremamente generoso, me deu carta branca para sugerir cantar o que quisesse, mas mesmo assim eu me preocupei inicialmente em pensar em canções mais curtas e que tivessem cumplicidade com a plateia já que entendia que aquela era, claro, a plateia do Chico. Sobre a atmosfera política do show, acho que foi algo natural e indissociável daquele momento. A gente estava saindo de uma pandemia e havia ainda muita gente que estava saindo de casa pela primeira vez. E a turnê teve, claro, uma função de descarga emocional e política muito forte, como se aquelas pessoas estivessem se encontrando pela primeira vez após um período tenebroso.  

Mas, você apimentou ainda mais a turnê escolhendo como primeira música a canção “Todos Juntos”, dos Saltimbancos, com a letra “Todos juntos somos fortes/ Não há nada pra temer”… 

Acho que são canções afinadas com aquele momento único de resgate de uma energia e celebração de retorno às ruas, do fortalecimento de uma ideia de Brasil que estava se perdendo, quase como uma sessão de catarse e terapia coletiva pós-pandemia. E o Chico Buarque é um desses troncos de baobás gigantes da música brasileira que carrega na sua obra uma visão de país que não pode ser dissociada do seu trabalho.     

Essa é a primeira vez que você vem a Maceió, isso? Por que a demora em se apresentar aqui e como será o show? 

Sinceramente, confesso que fico até um pouco envergonhada, mas não foi culpa minha, não, foi falta de oportunidade e convite, mesmo. É um show com uma pegada intimista, ao lado do Teco (Cardoso, flautista e marido de Mônica) e do Paulo (Aragão, violonista e arranjador) que a gente foi depurando desde a pandemia, como uma homenagem ao Edu Lobo. E foi ficando bonito porque nos entendemos muito musicalmente, enfim, é um encontro feliz que vai abrir marcar não só minha primeira apresentação em Maceió, como a abertura do projeto Seis e Meia, que vai trazer muita gente boa no próximo ano.

 

SERVIÇO

Show “Mônica Salmaso – Trio”

Dia, hora e local: sábado (09/12), 21h (abertura da casa às 20h), noTeatro Marista (Rua Geremias Porciúnculas, 58-170 – Farol);

Ingressos: Plateia: R$ 110,00 (meia-entrada), R$ 220,00 (inteira) e R$ 160,00 (ingresso social)/ Mezanino:  R$ 90,00 (meia-entrada), R$ 180,00 (inteira) e R$ 120,00 (ingresso social)

Vendas: Petit Paris (Av. Dr. Antônio Gomes de Barros, 215 – Jatiúca)/ Viva Alagoas (Maceió Shopping – Térreo) ou online  https://bit.ly/47olT2I

Mais informações: (82) 99966-0263 / @suechamuscoficial