Sururu é finalmente reconhecido como ‘patrimônio imaterial do Estado’
Agendaa 11 de dezembro de 2014
Quando, no início dos anos 1990, uma nova geração de recifenses foi buscar inspiração na lama e na desigualdade social dos mangues da cidade para criar um novo movimento cultural, deu-se a revolução do Mangue Beat que rapidamente rompeu fronteiras e ganharia o Brasil por meio de artistas como Chico Science, o falecido vocalista da banda Nação Zumbi.
Em 2004, o professor Edson Bezerra agitou a cena cultural de Alagoas ao lançar O Manifesto Sururu – inspirado no alimento retirado da lama que alimenta milhares de vida da periferia -, a reação, na conservadora Alagoas, foi bem mais fria e ficou restrita a um punhado de artistas da chamada “cena alternativa”.
Com dez anos de atraso, o manifesto e o próprio Sururu, como alimento, finalmente começam a ser reconhecidos como símbolo de um Estado que parecia constrangido em assumir a cultura dos batuques e terreiros na periferia que nunca tiveram a projeção e visibilidade que conquistaram, por exemplo, em Recife ou Salvador.
Nesta quinta-feira (11), o molusco ganhou registro como patrimônio imaterial de Alagoas, aprovado em reunião do Conselho Estadual de Cultura (CEC). Na prática, o sururu passa a ser tido como manifestação oficial da identidade e diversidade cultural alagoana, que deve ser preservada pelo Estado e população.
A solicitação formal para o registro do patrimônio imaterial foi elaborada pelo mestrando Ernani Viana Neto e pelo antropólogo Edson Bezerra, que lançou hoje o livro “Manifesto Sururu: por uma Antropofagia das Coisas Alagoanas”, editado pela Viva Editora e Livraria, no Palácio dos Martírios.
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