Dado Villa-Lobos fala a AGENDA A sobre 1º show da Legião em AL e da relação com Renato Russo
Agendaa 13 de maio de 2016
por Lívia Vasconcelos
O tempo foi generoso com Dado Villa-Lobos.
Oito dias antes de completar 52 anos, ele se apresenta em Maceió (no sábado, 21 de maio, no Parque Shopping Maceió) na turnê “Legião Urbana – 30 anos” com o mesmo jeitão e voz do jovem tímido de 17 anos convidado por Renato Russo para tocar em um teatro de Brasília.
“Será, antes de tudo, um grande show de rock”, resume o guitarrista sobre a primeira apresentação da banda em Maceió (Legião Urbana nunca tocou em Alagoas) ao lado do baterista Marcelo Bonfá, do músico Lucas Vasconcelos e do ator André Frateschi, com duração estimada de duas horas e meia.
Em entrevista por telefone a AGENDA A, o guitarrista falou ainda sobre a controvertida personalidade de Renato Russo e da disputa judicial com o filho do vocalista, Giuliano, que tentou impedir que Dado e Bonfá usassem o nome “Legião Urbana” em suas apresentações.
AGENDA A: Em 2012, depois do show MTV Ao Vivo com Wagner Moura, você chegou a dizer que não faria outro tributo ao Legião Urbana. Em seguida, você mudou de ideia. Por quê?
Dado Villa-Lobos – Naquele momento, não queria passar pelo constrangimento de que um herdeiro (Giuliano, filho de Renato Russo) pudesse tentar barrar o projeto mais uma vez. A transmissão do show com o Wagner Moura quase não aconteceu por conta de uma ação judicial que queria nos impedir de cantar nossas canções. Pensei: “Não preciso mais passar por isso, para mim chega”. Quando a Justiça nos deu o direito de voltarmos a usar nosso nome, em meados do ano passado, decidimos comemorar os 30 anos do nosso primeiro disco. Tudo aconteceu numa sincronia que deu muito certo e resolvemos celebrar com uma turnê as nossas canções, nossa vida, enfim, nossa trajetória.
Os mais próximos relatam que a convivência com Renato Russo nem sempre era fácil. Como você lidava com a controversa personalidade dele durante as turnês?
O Renato era um pouco arredio, fazia uma espécie de personagem provocador baseado no Jim Morrison (vocalista do The Doors). Só que, às vezes, o Renato levava isso ao extremo e podia causar um dano definitivo no palco. Em meio a essa montanha russa, tínhamos que ter paciência, o que é natural quando você integra uma banda desse quilate.
Qual a solução que vocês encontraram para manter o espírito da banda mesmo sem a presença marcante do Renato Russo?
Um dos primeiros cuidados começou na escolha do repertório. E aí foi fundamental a presença do André Frateschi, uma pessoa neutra nessa história que era fã do Legião e esteve com a gente pela primeira vez quando tinha ainda 11 anos, nos camarins de shows em Brasília e em São Paulo. E ele é um grande artista que conhece bem as canções e canta do jeito dele, não tenta imitar o Renato. Acho que o segredo foi montarmos uma banda com parceiros, pessoas que entendem a nossa linguagem e sabem o que aquilo representa para gente e para o público.
A Legião Urbana sempre se diferenciou de outras bandas do Rock Brasil 80 por uma sonoridade mais sutil e às vezes até minimalista de sua guitarra, sem solos pesados. Qual sua maior contribuição ao DNA musical da banda?
Sou grande fã do Jimmy Page, acho grandes solos de guitarra maravilhosos, mas eles não faziam parte de nossa estética. Viemos do punk e do pós-punk, com influências do Robert Smith (vocalista do The Cure), Andy Gill (guitarrista do Gang of Four), Will Sergeant (guitarrista da Echo & The Bunnymen). Nossa prioridade era a busca de uma simplicidade que, ao mesmo tempo, pudesse tornar nossa música muito rica e universal. E assim fomos criando nossa identidade.
A turnê teve como base a comemoração dos 30 anos do primeiro disco da banda, com clássicos como Será e Ainda é Cedo. Como foi a composição das músicas do primeiro álbum?
Uma parte do repertório foi feita no quarto do Renato e outra no Rádio Center, estúdio que a gente dividia com a banda Plebe Rude. Tudo durante um mês antes da nossa primeira apresentação em público, em março de 1983, num pequeno teatro da Associação Brasileira de Odontologia, em Brasília. Não tínhamos quase nenhuma música juntos e uma das primeiras que fizemos foi Ainda É Cedo. Depois, veio Baader-Meinhof Blues, entre outras (Será, Teorema, A Dança).
O que os alagoanos podem esperar do show no dia 21?
Nessa turnê, tocamos todas as músicas do primeiro disco na ordem do álbum. Depois, fazemos uma pequena pausa e retomamos cantando Tempo Perdido, além de músicas de todos os álbuns, incluindo clássicos como Eu Sei, Que País é Esse, Há Tempos, Pais e Filhos, Teatro dos Vampiros e por aí vai. No total, são duas horas e meia tocando em um grande show de rock que acho legal fazermos nesse momento do país. Enfim, um grande reencontro com um público que a gente nunca nem teve a oportunidade de tocar, como o de Maceió. Mas, finalmente, agora vamos estar aí.
Serviço
Show Legião Urbana – 30 Anos (Produtora: Celebration)
Local: Estacionamento do Parque Shopping Maceió (Av. Comendador Gustavo Paiva, 5945 – Cruz das Almas)
Horário: 22h
Ingressos: Sites Acesso Vip Maceió (clique aqui) e Ingressos Maceió (clique aqui) online, e na loja Maxhus do Parque Shopping
Mais informações: 3357-2007
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