A nova aposta de Bernardo Gradin para transformar Alagoas em centro de biocombustível sustentável no Brasil

Rodrigo 28 de janeiro de 2025

Bernardo Gradin ao lado de cartaz de lançamento da nova EXYGEN I: dpoz associação com usinas para produção de etanol, biometano (gás oriundo do biogás a partir da vinhaça) e biofertilizantes neutros em carbono

Em maio de 2012, Bernardo Gradin, herdeiro da família Gradin (ex-sócios da Odebrecht), anunciou em evento em Maceió a instalação em São Miguel dos Campos da primeira usina de etanol de segunda geração (que produz álcool com base na palha de cana) do Brasil com sua então recém-fundada empresa de biotecnologia GranBio (então chamada GraalBio).

Após mais de uma década de entraves tecnológicos e de mercado terem praticamente inviabilizado a planta, Gradin voltou a São Miguel dos Campos nesta segunda (27) acompanhado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disposto a provar que o projeto de transformar Alagoas em um centro de referência na produção de biocombustíveis sustentáveis continua de pé.

Ao lado de Alckmin, do ministro dos transportes, Renan Filho, do governador Paulo Dantas (além de deputados e empresários), o CEO da GranBio lançou a placa de fundação da nova EXYGEN 1, associação empresarial projetada para ser um complexo de biorrefinarias de produção de etanol, biometano (gás oriundo do biogás a partir da vinhaça) e biofertilizantes neutros em carbono em parceria com as usinas Caeté, Santo Antônio e a empresa Impacto Energia.

De acordo com Gradin, a ideia é transformar a planta num polo de produção de biocombustível sustentável em associação com usinas que, em vez de terem que investir altas somas para a produção de biocombustíveis com carbono neutro, usariam a tecnologia e a expertise da EXYGEN 1 para realizar essa conversão por meio de contratos de parceria.

Caso o modelo se torne viável, a empresa estima que o complexo deva produzir anualmente cerca de 160 milhões de litros de etanol neutro em carbono já a partir de 2026, utilizando resíduos do açúcar como matéria-prima, e 50 milhões de metros cúbicos de biometano por meio da vinhaça.

Como o próprio Gradin reconheceu a AGENDA A, o novo modelo de negócio da EXYGEN 1 foi projetado também com base na dura experiência de mercado da GranBio nos últimos anos diante do fato de que nem as tecnologias de produção e nem o mercado estavam suficientemente maduros para viabilizar a produção do primeiro projeto de produção de etanol de segunda geração na planta de Alagoas.

De acordo com o CEO da GranBio, o modelo de produção da EXYGEN 1, tanto pelas adequações tecnológicas como pelo modelo de investimento, já nasce formatado para atender a demanda de mercado e das usinas associadas ao projeto.

Gradin também lembrou que a proximidade da planta de São Miguel dos Campos da empresa de petróleo e gás Origem Energia (grupo que adquiriu a produção de petróleo e gás da Petrobras no Estado), parceira da TAG, maior gasoduto do Brasil, traz novas possibilidades para facilitar a distribuição do biometano produzido na planta. “Por enquanto, é apenas uma possibilidade, mas vamos conversar com a Origem Energia e com a Algás para viabilizar essa parceria”, diz Gradin, à frente do novo projeto que deve demandar investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão nos próximos 4 anos.