Após duas estatuetas inéditas em Gramado, cinema alagoano quer atrair mais recursos para o setor
Rodrigo 25 de agosto de 2025

Diretor Luciano Pedro Jr. e atriz alagoana Aline Marta: vencedores de dois kikitos no Festival de Cinema de Gramado projetam talentos formados em Alagoas como destaques na produção audiovisual brasileira
Desde o nascimento do Festival de Cinema de Gramado, há mais de 50 anos, Alagoas nunca teve dois representantes no mesmo palco e na mesma edição a receber o disputado Kikito, nome dado à estatueta da mais tradicional premiação do setor no país, criada em 1973.
Após o curta-metragem alagoano “O Mapa em que Estão os Meus Pés”, dirigido por Luciano Pedro Jr., ter conquistado na sexta a estatueta de melhor curta brasileiro concedido pelo júri da crítica do 53º edição do festival, a atriz alagoana Aline Marta Maia levou no sábado o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação no longa “A Natureza das Coisas Invisíveis”, da cineasta brasiliense Rafaela Camelo.
“Essa premiação inédita e dupla em Gramado talvez seja a melhor síntese da força que o audiovisual alagoano conquistou nos últimos anos graças a uma política de editais que impulsionou toda a cadeia do audiovisual no Estado”, diz Rafhael Barbosa, à frente da produtora alagoana La Ursa Cinematográfica, que produziu o curta-metragem alagoano em parceria com a produtora Fumaça Azul Neon. “Esperamos que esse reconhecimento nacional venha reforçar ainda mais a importância da captação de investimentos que tem ajudado a projetar Alagoas como destaque na geração de empregos na economia criativa”, diz Rafhael, lembrando de dados revelados de uma pesquisa nacional divulgada ano passado pela Fundação Itaú que apontou Alagoas como o terceiro Estado do país com maior crescimento relativo de vagas de trabalho do setor.
O curta-metragem “O Mapa em que Estão os Meus Pés” foi rodado com uso de câmaras analógicas (em película Super-8) nas cidades de Barra de Santo Antônio, Porto de Pedras e Maceió e narra a história do pescador e agricultor Sebastião (bisavô do diretor Luciano Pedro Jr) que, aos 84 anos, desapareceu por seis dias até ser encontrado no lugar onde sempre sonhou voltar.
“Acho muito importante que a gente crie e reconstrua a memória das nossas famílias, pra gente entender de onde veio e pra onde a gente tá caminhando”, disse no palco o diretor Luciano Pedro Jr ao receber o Kikito no seu primeiro filme.
Já a atriz alagoana Aline Marta, atriz veterana no Teatro em Alagoas que atuou desde os anos 1980 em peças ao lado de nomes como Homero Cavalcante, José Márcio Passos, Ronaldo de Andrade, Lael Correia, entre outros, há pouco mais de cinco anos foi “redescoberta” no cinema nacional onde se destacou em papéis que lhe renderam, além do Kikito neste final de semana, outras premiações nacionais (como prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival do Rio, em 2022, pelo filme Carvão).
“Sinceramente, eu não esperava. Tem tanta gente boa aqui nesse festival. Eu quero agradecer a confiança da minha querida diretora, Rafaela, por me dar esse presente”, disse a alagoana ao receber o Kikito.




