De “Casas Jardim” a “Jardim Tintas”: grupo alagoano com quase 70 anos renova marca e aposta em expansão
Rodrigo 11 de setembro de 2026

Acima, diretoria da Jardim Tintas, antiga Casas Jardim: rede alagoana aposta em nova marca para manter rota de expansão como uma das raras marcas alagoanas com quase 70 anos de história
Quando a primeira Casas Jardim foi aberta por Luiz Jardim Filho, em 1958, na Rua Alegria (hoje Joaquim Távora), Maceió tinha pouco mais de 150 mil habitantes e o Centro da cidade era, de fato, o único centro do comércio e financeiro da capital.
Quase 70 anos depois, a marca alagoana especializada em tintas não apenas sobreviveu a décadas de ciclos (e crises) econômicas, trocas de moeda e revoluções tecnológicas e de mercado (da invasão dos grandes grupos de Home Center à chegada do varejo eletrônico), como mantém em rota de expansão e aposta em inovação com a maior mudança de marca de sua história.
A nova marca, “Jardim Tintas”, que alia o sobrenome da família à especialidade do grupo (tornando mais ágil a procura em sites de busca e chats de inteligência artificial), foi apresentada oficialmente aos cerca de 150 colaboradores do grupo em evento realizado no final do mês passado no Ritz Lagoa da Anta na convenção que também apresentou os planos até 2030.
“Essa mudança, fruto de pesquisas que realizamos há alguns anos, segue nosso compromisso de inovar e fortalecer nossa marca para mantermos a rota de crescimento sustentável nos próximos anos”, diz o economista Luiz Antônio Jardim, cuja trajetória no grupo ilustra bem como a empresa conseguiu chegar à terceira geração em ritmo de crescimento.
Após fazer um intercâmbio nos Estados Unidos nos anos 1970 e voltar para se graduar em Economia na UFAL (numa época em que os principais livros de planejamento e gestão tinham como principal foco a indústria), Luiz Antônio, ao lado das irmãs, Luciana e Marília, e da esposa, a também economista Cristina Jardim, conseguiu adaptar conceitos e técnicas de gestão ao negócio da família. Em 1986, por exemplo, a rede foi uma das pioneiras no varejo alagoano na contratação de consultorias especializadas em Organização e Métodos (O&M) para implantação de sistemas de gestão e treinamento. Numa época em que a computação engatinhava e era encarada como exclusiva de grandes organizações e bancos, a experiência de carreira da economista Cristina Jardim em instituições como o Produban aceleraram a informatização dos processos do grupo e a adoção de tecnologias pioneiras, fazendo da empresa a primeira no Nordeste e uma das primeiras do Brasil, a adotar equipamentos de formulação e pigmentação de tintas.
Além do pioneirismo em métodos de gestão e tecnologia no varejo, o grupo familiar estruturou regras de sucessão e participação familiar na gestão que permitiram a ascensão de uma nova geração na diretoria da empresa. Esse é o caso, por exemplo, do diretor comercial Cândido Jardim (sobrinho de Luiz Antônio) que, após iniciar a carreira em grandes empresas como a Ambev, negociou com a família sua atuação no grupo e hoje é diretor comercial ao lado de outros diretores que representam a terceira geração, como Celine e Eduarda Jardim.
Essa linha de continuidade entre o pioneirismo e metas para o futuro ficou ainda mais clara na programação do evento do Ritz Lagoa da Anta, que contou não apenas com palestras sobre a nova marca e crescimento até 2030, como também trouxe palestras como a de Roberto Grimaldi, um dos pioneiros brasileiros em consultoria para empresas que liderou a implantação do planejamento estratégico para a empresa ainda no início dos anos 1990.
“Legado não é aquilo que se deixa para as pessoas, mas aquilo que se deixa nas pessoas”, disse na abertura do evento Luiz Antônio Jardim, sobre a trajetória e o futuro da empresa que se tornou uma das raras marcas alagoanas a atravessar mais de seis décadas como uma das líderes do setor.




