Revolução turística em Porto do Recife indica urgência de Alagoas projetar novo porto além do Jaraguá

Rodrigo 22 de maio de 2024

Novotel Recife Marina, com inauguração prevista para junho, projeto que inclui também centro de convenções consolida mudança de vocação do Porto de Recife como hub de novos projetos turísticos e residenciais

Um hotel com inclinação de 59 graus em direção ao mar com restaurante no térreo aberto ao público, marina com mais de 200 vagas para barcos de até 70 pés e um centro de exposições com capacidade inicial para 4 mil pessoas.

Esses são alguns dos empreendimentos do projeto Consórcio Porto Novo, em Recife, cuja abertura no próximo mês do “Novotel Recife Marina” consolida a mudança de vocação da área portuária e do Centro Histórico do Recife não apenas em um hub de empresas de tecnologia do chamado Porto Digital, como também de novo destino de grandes projetos imobiliários turísticos e residenciais.

“Esses investimentos recentes são parte de um ciclo virtuoso iniciado décadas atrás com a ocupação do Centro Histórico e da região portuária pelo Porto Digital, o que atraiu uma concentração de recursos humanos altamente qualificados que também trouxeram para a área grandes projetos residenciais e turísticos”, diz o paraibano radicado em Recife Cláudio Marinho, um dos fundadores do Porto Digital e consultor da Porto Marinho, consultoria que já atuou para a Prefeitura de Maceió e para projetos do Litoral Sul de Alagoas. “Acredito que, em Maceió, a vocação turística do bairro do Jaraguá seja ainda maior do que a da região portuária de Recife pela proximidade de praias como a Pajuçara com a maior concentração hoteleira da capital”.

Marinho reconhece, contudo, que a transformação do Porto de Recife em Porto Digital e novo polo turístico e residencial só foi possível também pela transferência das operações portuárias industriais para o Complexo do Porto do Suape, com início das operações em meados dos anos 1980, que liberou a região portuária de Recife para outras vocações.

Para o ex-ministro do Turismo e diretor superintendente do Sebrae Alagoas, Vinícius Lages, Maceió precisa lançar um novo olhar para o potencial da região do Jaraguá não apenas como polo turístico, mas também como polo de serviços e de outros segmentos da economia criativa que poderiam ser um ponto de partida para revalorização da orla que vai do Centro até o Pontal.

“Ainda que Alagoas não tenha hoje um projeto em andamento para construir outro porto industrial como já foi discutido no passado, acredito que é possível, sim, conciliar a exportação de cargas a granel com novas vocações para toda uma área que se estende do Jaraguá ao Pontal, passando, claro, pelo Centro de Maceió”, diz Vinícius Lages. “Até porque estamos falando de áreas que têm um potencial enorme por congregar vocação comercial, imobiliária, turística e de uma série de novos serviços na área de tecnologia e da chamada economia criativa”.

Segundo o economista e atual diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, que foi secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Estado no Governo Téo Vilela (durante o anúncio do projeto de um porto em Coruripe vinculado a um estaleiro que seria erguido pelo empresário Germán Efromovich, cancelado em seguida), a recente expansão de investimentos privados na cadeia de produção de gás em Pilar e outros pontos do Estado pode também servir de base para retomar o projeto da construção de um novo porto ao Sul do Estado – conectado, por exemplo, ao gasoduto que leva o gás de Alagoas a outros Estados.

“Desde que o Estado conte com um projeto que respeite rigorosamente o zoneamento ecológico e costeiro, permitindo a convivência com áreas turísticas, assim como ocorre em Suape, a retomada da discussão de um Porto no Litoral Sul pode ser estratégico para Alagoas atrair novos investimentos e ter uma alternativa que libere ainda mais o potencial imobiliário e turístico no entorno do bairro do Jaraguá”, diz o economista.

Até lá, enquanto o Porto de Recife inaugura novo hotel no próximo mês e o Porto do Rio de Janeiro já anuncia expansão do projeto Porto Maravilha (como um novo parque com praças flutuantes no entorno do Museu do Amanhã), a polêmica em torno de uma autorização para instalação de um terminal de ácido sulfúrico em pleno Jaraguá revela o atraso da discussão da vocação turística do bairro.