Lúpulo alagoano conquista cervejarias artesanais do Nordeste em teste realizado em Recife; entenda
Rodrigo 5 de junho de 2025

Plantação de lúpulo em Alagoas (acima) e imagem do evento em Recife com Aluysio Righetti, da Hop is All, ao lado consultora e mestre cervejeira Chiara Barros: lúpulo cultivado no Estado vira referência no setor
Na sexta-feira passada (30), um evento realizado no Bar Beer Dock Casa Forte, em Recife, contou com a apresentação (e degustação) de nove cervejas artesanais de Pernambuco e da Paraíba que tiveram entre seus ingredientes lúpulo plantado e colhido de forma pioneira aqui em Alagoas.
Organizado pelo Instituto Ceres de Pernambuco, apoio do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) e Sebrae Alagoas e de Pernambuco, o evento “Tem lúpulo nordestino nessa cerveja” reuniu quatro cervejarias artesanais de Pernambuco (Babylon, Risoflora, São Lourenço e Villa do Malte) e cinco da Paraíba (Philipeia, NegoPreto, Vierbrauer e Erste Sonne) que usaram receitas produzidas com o lúpulo cultivado na fazenda Sete Léguas, em União dos Palmares, plantado pelo agricultor Aluysio Righetti, pioneiro na plantação de lúpulo no Nordeste com sua empresa “Hop is All”.
Ainda que o teste tenha usado a flor do lúpulo in natura (e não o lúpulo já beneficiado por meio da peletização, processo que transforma materiais farelados em grânulos compactados), os cervejeiros que participaram do evento afirmaram que ficaram surpresos com a qualidade das variedades plantadas no Estado. “Acho que foi um desafio importante e ficamos bastante felizes com o resultado”, disse a AGENDA A Luan Duarte, à frente da cervejaria Pernambucana Babylon, que usou uma das variedades plantadas em Alagoas na fase final da produção para produzir a single hop (série dedicada a destacar tipo de lúpulo) no estilo American Pale Ale (APA) “O resultado foi uma cerveja atraente com excelente equilíbrio entre o amargor e notas cítricas e florais”, diz o diretor da Babylon.
Em Alagoas, a cervejaria premiada Caatinga Rocks foi a primeira do Estado a usar o lúpulo plantado em União dos Palmares em 2022 com o rótulo comemorativo Alagoas Local Lager. “O potencial e qualidade do lúpulo plantado aqui em Alagoas é bastante promissor”, diz Rafael Leal, à frente da cervejaria com o irmão Marcus Leal. “O importante agora é que, além do cultivo, a planta também seja beneficiada no próprio Estado para garantir a padronização e uma possível distribuição para as cervejarias do Nordeste”.
De acordo com o plantador Aluysio Righetti, da Hop is All, a empresa já adquiriu uma máquina que está sendo adaptada para o beneficiamento do lúpulo, prevista para entrar em funcionamento na próxima safra a ser colhida em outubro.
“Eventos como esse em Recife são importantes não apenas para dar acesso aos cervejeiros a variedades de lúpulo plantadas aqui, como também para ouvirmos a demanda do mercado para tornar a produção de lúpulo viável economicamente”, diz Aluysio, destacando que, por enquanto, a plantação é um investimento ainda sem retorno financeiro.
Para a engenheira química e mestre cervejeira pernambucana Chiara Rêgo Barros, uma das líderes do evento à frente do Instituto Ceres, a experiência com o lúpulo alagoano tem sido essencial para mostrar o potencial do cultivo da planta no Nordeste. “Após o sucesso desse primeiro encontro, já estamos pensando em um próximo evento com participação de mais cervejarias de outros Estados do Nordeste ainda no segundo semestre deste ano”, diz a consultora, com a expectativa do uso do lúpulo não apenas cultivado, mas dessa vez já também beneficiado pela Hop is All.




